Higiene íntima feminina: cuidados e excessos

 Publicado por: Ricardo Kruse

Falar sobre higiene íntima feminina é normal, saudável e mais do que recomendável. Quando se envolve questões de saúde e bem-estar, tabus têm de serem deixados de lado. Ainda mais em se tratando de uma região sensível, onde as mulheres, principalmente as brasileiras, costumam se preocupar com frequência – porém, na maioria dos casos, em excesso.

Dessa forma, qual a medida correta da higiene íntima? A primeira dica é até simples: o corpo sabe o que faz. A região da vagina e da vulva possui proteções naturais contra infecções e doenças, como os pelos pubianos e a flora bacteriana normal – com bactérias protetoras como os bacilos de Döderlein – que são responsáveis pela manutenção do pH ácido, saudável, da vagina. O meio ácido é uma das formas de proteção contra micro-organismos causadores de doenças. Tanto o excesso quanto a ausência desses microorganismos podem resultar em problemas.

Portanto, a segunda dica é respeitar essas qualidades protetoras do corpo. O ideal é não usar produtos e não realizar uma higienização excessiva que prejudiquem essas defesas naturais do organismo. Se for o caso, dê preferência a sabonetes especificamente íntimos, pois os sabonetes comuns costumam ter pH alcalino, o que pode provocar irritações na região.

É importante manter as dobras da região íntima limpas, pois existe ali uma tendência ao acúmulo natural de gordura e de restos celulares da pele. Entretanto, deve-se evitar o uso de buchas, cotonetes ou materiais de textura que possam machucar ou causar irritações na região.

Necessário, somente o necessário

Lenços higiênicos podem ser utilizados, mas procure escolher outros que não os umedecidos ou perfumados, pois as substâncias presentes neles podem provocar irritações. Após o banho, é essencial secar apropriadamente a região, para evitar umidade e proliferação de micro-organismos, principalmente fungos (mais comumente a candidíase). Pode até se usar um ventilador ou secador de cabelos com vento frio ou morno.

E, falando sobre o momento do banho e do asseio após utilização do vaso sanitário, cuidado com a duchinha: ela pode ser usada, mas nunca diretamente na região da vagina, nem na sua entrada muito menos internamente; e nunca se estendendo por muito tempo e nunca usando água muito quente. Todos esses fatores colaboram para diminuir a proteção natural da região se não respeitados.

O período da menstruação exige atenção especial.  A presença do sangue não apenas altera o PH vaginal, como o próprio sangue torna-se um meio de cultura para micro-organismos nocivos. Além da higienização apropriada, os absorventes devem ser externos sempre que possível e trocados de acordo com o fluxo menstrual, e nunca permanecer ali por tempo demais.

Dicas para o dia a dia

A rotina e certas exigências estéticas também acabam prejudicando o processo de higienização. Trabalhar sentada o dia todo, usar roupas apertadas e de material sintético que não permitem a ventilação adequada da região, o excesso de zelo com a depilação (que retira uma das proteções naturais do corpo), todos estes colaboram para a proliferação de fungos e bactérias nocivas.

Portanto, dê preferência no cotidiano para roupas mais leves e mais soltas. Procure usar roupas íntimas arejadas como as de algodão e com menor capacidade de reter produtos de higiene. Se fizer depilação, prefira laser ou luz pulsada, ou até mesmo a cera. Evite ao máximo usar lâminas para se depilar, seja na área que for, pois estas favorecem o aparecimento de foliculites e infecções na pele.

A depilação total quebra uma das barreiras protetoras da região íntima, favorecendo o crescimento de micro-organismos, o que propicia o aparecimento de corrimento e doenças; e a depilação com gilete e outros produtos danifica a pele e reduz sua hidratação e lubrificação naturais. Opte por aparar os pelos mais do que depilar.

Todas essas dicas são também fundamentais no pós-operatório das cirurgias íntimas: embora a higienização seja importante, seu excesso pode prejudicar a recuperação das defesas naturais do corpo, o que não só atrasa o período de recuperação como também deixa o corpo mais vulnerável às infecções.

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